sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Discreta, ela aparece, me deixa feliz



Ela tem que abrir caminho entre os fios de eletricidade, entre as nuvens, entre a cegueira generalizada da humanidade...

Minha amiga se chama Lua e está quase sempre comigo...quase sempre porque às vezes se cansa de ter que chamar a atenção dos seres humanos para que olhem para o céu e contemplem sua beleza. Ela se esconde então, mas não deixa de estar ali, brilhando! Ultimamente quem quer aparecer mais são as nuvens brincalhonas (sentem inveja porque não podem refletir a luz da mesma forma mágica que ela), mas ela, humildemente e aos poucos, vai retomando seu posto de atriz principal da noite terrena. Me acompanha nas longas caminhadas, me energiza, me alivia. Recomendo conversar com ela!

Hoje aconteceu algo tão sincrônico quanto o dia em que fiquei numa linha de divisão de chuva...tive um sonho gostoso, em que havia um mar aberto, azulíssimo, quase transparente, pessoas conhecidas que mergulhavam comigo...em certos momentos me sentia como naqueles sonhos obscuros que acontecem e nos que a gente fica assustado. Mas logo eu me sentia bem, e, no fundo do mar, eu conseguia enxergar estranhas portas de ferro, como escotilhas; lá mesmo, eu pulava de um muro e "quicava" no chão, pulando muito alto e me sentindo como em outros sonhos corriqueiros, voando e abrindo um sorriso enorme. Em seguida bati numa parede e caí no chão, dessa vez de forma violenta, e recostei a cabeça como que no fim da vida. Mas...eu estava muito feliz!! E pensei comigo mesma "agora posso morrer/acordar" - houve uma (con)fusão de sentimentos. O incrível foi que nessa hora senti que o sonho acabou, que não haveria outra maneira de continuar se não acordando. No momento em que pensei "agora posso acordar" o despertador tocou. Tocou e tocou e eu acordei de olho fechado e aproveitei até o final aquela sensação de sincronicidade. Sim, foi mágico, como a lua cheia do fim da tarde.

sábado, 22 de setembro de 2007

Como um pássaro no eclipse...

É que hoje amanheceu tão cinza...olhei pro céu e não vi o sol, só uma massa cinza...nuvem cinza...olhares cinzentos no chão...e o asfalto, ah, o asfalto!!
Perdida, me senti sem saber o que fazer, como um pássaro no eclipse.

"A morte da filha do céu

Naquele dia ela tomou seu último banho de chuva
Seu corpo, ainda molhado, já sentia a maldade deles
Arrancaram tudo em volta
E ela já pressentia o fim...
Lançou suas últimas lágrimas sobre aqueles malditos
que só faziam "cumprir o seu dever"

Sua vida já não era mais viável. Não para os homens.
Ela, que já tinha acolhido tantos espíritos bons,
tantos momentos tristes e felizes, tantos segredos
e juras escondidas sob seu consentimento
que já tinha ouvido o canto de tantos pássaros
e a música de tantos jovens...
que sempre se manteve ali, firme, altiva, mesmo frente a dificuldades e tormentas

Agora o céu chorava por mais uma de suas filhas
que sucumbia ao peso da fusão tempo e dinheiro

Justo ela, na qual, resgatando nacos de infância,
trepavam meninos-adultos para descansar
Mas, para eles, ela era a vilã. Ora, ela chegou antes deles!

Naquele momento eu a quis abraçar, como havia feito no dia anterior
ao saber de seu inevitável destino.
Nesse dia eu senti uma parte de mim morrer,
meu coração sangrar junto ao concreto que passou a ocupar seu lugar
Seu último desejo? Quando cair, não machucar nenhum daqueles que a mataram."

E o sol saiu.

sábado, 8 de setembro de 2007

De coisas aparentemente invisíveis

Conforme o aspecto cíclico do universo, as coisas voltam à tona, sempre. Já me disseram e é verdade, comprovada: as coisas não resolvidas agora um dia acabam incomodando outra vez. Se a gente não fala, elas fazem tanta pressão dentro da gente que acabam explodindo de forma negativa. As palavras tornam-se duras de serem pronunciadas, de tanto tempo que ficaram cozinhando dentro da cabeça. Elas secam, e às vezes parece que perdem o sentido, ficando cada vez mais impronunciáveis. O tempo é foda, cambada. O tempo faz a gente pensar que esqueceu de coisas que, na verdade, só estão crescendo discretamente.
É, as coisas são como são, e não como você quer que elas sejam. Têm que acontecer na sua hora apropriada. E quanto mais você espera que algo aconteça, mas isso vai demorar a acontecer. Gente, não fui eu quem inventou as regras!!!
Ah, e tem mais!! Conhecer pessoas pode não ser tão ruim, afinal, você não é tão burro quanto pensa, nem tão inteligente. Isso porque, infelizmente, nossa civilização se acostumou a ignorar a intuição e a espiritualidade, suprimindo qualquer forma de pensamento "não-fundamentada" num método científico-empírico-racional. E isso tolhe almas criativas e as afasta de sua verdadeira personalidade, limitando-as ao universo dos loucos.

Mas, como eu já disse, não fui eu quem inventou as regras. Por isso não quero seguí-las.