quarta-feira, 31 de março de 2010

Amigos

Aquilo sim era catalogar :: dividia todos os seus amigos em diversos grupos, subgrupos, ramificações, ramais, estágios, blocos; separava-os segundo grau de intimidade, de conveniência, número de opiniões convergentes, tempo de amizade. Assim, exibia belo cardápio de amigos/colegas/parceiros, cada qual direcionado para as tarefas que melhor suprissem suas vontades pessoais. Quando necessitava, uma breve consulta ao catálogo era suficiente para encontrar o amigo da vez. Havia a categoria de amigos confiáveis, a quem podia sempre lamentar suas penas vividas, confidenciando os piores segredos. Havia os endinheirados, aos quais recorria sempre que os amigos credores-cruéis lhe faziam a caça. No entanto, os endinheirados muitas vezes tornavam-se também da categoria credores-cruéis, obrigando-o a encontrar novos contatos abastados. A isso se somava a necessidade incessante de amigas-coloridas, que se mantinham em ativa rotatividade na lista. Havia também os amigos-da-onça, amigos-ursos, amigos-irmãos e amigos-inimigos, estes últimos detentores de relações tão instáveis quanto um mandato presidencial em tempos de crise econômica.
Havia ainda uma lista composta por apenas um nome, a de amigos de infância.
Outra, não muito mais extensa, compilava os nomes de ex-amigos-verdadeiros.

Em todas as divisões deixava clara sua vontade de ser sozinho no mundo.

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