sexta-feira, 12 de março de 2010

Breve.

Se cegava, era por opção.

Fechava os olhos para não ouvir os gritos abafados de suas memórias - e seus ecos, estes sim, reverberando como pratos de uma sinfônica.

Fechava-se para a escuridão que a cercava. A escuridão. Ela movia os dedos...parecia não saber a quem transferir sua culpa. Pois não é verdade que não havia culpados? E se, em sua breve insurreição contra o mundo, tivesse perdido o que de mais valioso tinha em tempos de profundo sono: a segurança. Esta não lhe cabia mais.
Não quer incomodar a escuridão, sente que suavemente o tom do arrependimendo lhe escorre pelos fios de cabelo. Está encharcada de ser. Encharcada de não ser mais o que era antes de sumir na escuridão.

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