quinta-feira, 25 de março de 2010

Galhos, lama e pensamentos.

A lama parecia deliciosa cobertura de chocolate.

- Essa guria tem que se tratar, ela fica aí, toda ranzinza, não entende nada do que eu falo!

Ela observava os galhos que ficavam presos entre seus dedos, pisava com firmeza para não escorregar. Seus pés descalços já estavam acostumados ao frio da terra molhada, pareciam duas ameixas inchadas e sujas. Aos poucos ela descobria que ajudar era sim muito prazenteiro, quando a ajuda fosse feita de coração e mente abertos, e que este prazer poderia vir em formatos mais agradáveis do que podia crer.

- Ser negativo não te ajuda, muito menos deixa os outros felizes.

Caminhava, equilibrava-se. Ficava emocionada ao ver que as pessoas poderiam ser muito especiais, se ela ficasse atenta a recebê-las. Antes, olhava com desconfiança, buscando coisas ruins. Hoje, com as pernas geladas, deixava as coisas fluírem naturalmente. Nem tudo podia ser como ela planejava mesmo...Agarrou-se num toco de árvore, embrenhou-se na mata carregando pesada mochila em que se entulhavam menos coisas que as que trouxera ao chegar. A saída era logo ali. Ele ainda a tratava com medo, com cordialidade excessiva. Chamava-a de amiga. Pensava que logo se livraria dela e seria feliz sozinho, livre para aprender as coisas que queria, para beijar os lábios que quisesse, para convidar quem quisesse à sua barraca sem ser importunado.

- Vou conseguir uma carona pra você.
- Tá, te amo, viu?
- Obrigado.

Finalmente chegavam ao portal.
Ali, subiu numa caçamba desconhecida, acomodou-se e deixou seus pensamentos serem carregados pelo vento.

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