terça-feira, 16 de março de 2010

Uns sessenta

Ganhei dez anos, perdi dez quilos, comprei dez motivos, dez vezes me assustei.

Das dez tentativas de ser eu mesma, nove acabaram em desastres. Uma falhou.

Depois de dez vezes matando palavras, acendi dez velas e rezei dez santos-anjos.

Ainda assim, dez calúnias me assaltaram, dez modelos de felicidade me passaram a perna, dez crianças me subestimaram, dez adultos me julgaram uma heroína e dez adolescentes fingiram não me ver ao passar na rua.

Desisti tardiamente de revelar ao universo a diferença que faz ter onze amigos ou dez.

Quando dez caminhões por cima de mim passaram, dez bandas marciais tocaram em meu enterro, dez viúvos choraram dez lágrimas desconsoladas. Dez abraços calcaram minha ascensão ao espaço sideral, de onde avistei as dez piores burradas da minha vida.

Me senti incapaz de ignorar minha desinteressante existência ao ouvir dez vozes familiares ao meu redor.

Eram as minhas vozes. Dez vozes, todas iguais.

[ainda bem que existe este blog]

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