quinta-feira, 29 de abril de 2010

Próxima parada

As costas da senhora doendo, os cabelos do moço chacoalhando, as mãos fortes do pedreiro segurando no alto. Entram bolsas, saem guarda-chuvas, entram pacotes, saem celulares, bonés, óculos e todos os acessórios necessários para uma viagem por Curitiba. A chuva torna tudo mais dramático e abafado, janelas fechadas, cabelos molhados, pés pisados e barrigas encostadas intensificam a sensação de desconforto dos passageiros de pé. Aos sentados, resta a solidariedade pelo esforço dos outros em segurar-se nas curvas, evitado por alguns ao estarem tão esmagados a ponto de não terem que se apoiar em nada. Lá de longe eles se vêem, cada um a seu tempo, e dão graças a Deus por estarem a certa distância. Ela não tem que desligar o MP3, ele não terá que parar de pensar na prova de amanhã. A conversa não existirá, mesmo quando o biarticulado estiver mais vazio. Ela olha o horizonte cinza, ele observa um velhinho que reclama da artrite com uma dona de casa. Ambos pensam em quão falsamente se comportam; até que se gostam, não acham defeito algum no outro. Mas não dá pra conversarem a sós. Não mesmo! Ela torce para que ele desça logo, ele para que o tubo da moça não demore em chegar. Assim, interagem mostrando compreensão - justificam-se com diversos argumentos, entre eles o de que não se viram - e indignação - ele/ela não veio falar comigo, eu devo ser uma pessoa terrível mesmo!

Foi a viagem mais longa do dia.

domingo, 25 de abril de 2010

Da sorte desfeita

Qualquer coisa é menos irritante que uma conversa não terminada.


- Olhe amigo, penei pra chegar até aqui, viu?


Minha cabeça liquefeita, especialmente naquele dia eu sofria por antecipação. Buscava dar sentido às palavras, arranhava algumas expressões inofensivas, tentava ser o mais próxima de mim mesma possível. Nada adiantava, as coisas pareciam todas fora de lugar, o mundo parecia desordenado e, no entanto, eu sabia estar fazendo a coisa certa. Até que não tinha sido tão ruim aquela segura distância mantida por tanto tempo...no fim das contas, eu sou realmente conhecedora de tudo o que se passa na minha mente?
Apanhei uma caneta, comecei a rabiscar um velho caderno...tudo o que saía eram padrões de formas geométricas, nada de poesia, nada de melodias, nada de rimas...e eu que só queria fazer uma música para tirar de mim todo aquele peso. Sem sucesso, dormi. Adormecendo, me vi correndo através de uma ponte e saltando sobre um abismo que apenas encontrava um caudaloso rio em seu final. No rio, água. Nas profundezas, pedras. Novamente na superfície, ar respirável e um fio de esperança vertendo juntamente com meu corpo lento que se dirigia até a margem. Finalmente, quem eu esperava encontrar.

sábado, 24 de abril de 2010

Penso que te esqueço, e quando penso...já estou te seguindo mais uma vez.

- Te segura, minha filha, que isso é coisa boa pra você.

Ela me falava assim, como quem não quer nada, como quem só espera dizer aquilo que você acha que não quer ouvir. Eu ouvia também, atenta, sedenta, mais alguns minutos com ela e já poderia saltar novamente para a vida, como da primeira vez. Sua voz macia me dizia para que não enfraquecesse, que fosse firme em qualquer coisa que fizesse, mesmo que aquilo não saísse como esperado...quem espera demais nunca está conformado, segundo ela, e nunca nos poderíamos apegar aos resultados de qualquer coisa que fosse. Fazendo com certeza, sabendo que é bom, não haveria mal nenhum, pois o mal está dentro da cabeça das pessoas. Assim me conquistava, me tranquilizava, me dava ânimo para seguir em frente, com poucas palavras, mas sábias e de coração aberto, como só uma mãe sabe ter.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A luz

Um dia Dora chegou em casa mais cedo e encontrou tudo diferente. Os chinelos, mesa, cama, óculos, livros, todas as coisas fora do lugar. Seus CDs e discos não estavam no local de sempre, suas roupas penduradas no teto, a máquina de lavar no banheiro. Um arrepio escalou sua espinha, pensou em assalto. Pensou alto, pensou...lá fora piscavam as insistentes luzinhas de natal e a vizinha estendia despreocupadamente um tapete na janela. Enxugou a testa, refletiu...estava parada na sala, pronta para colocar tudo no seu devido lugar quando, subitamente, surgiu uma luz intensa, brilhante, amarelada, que pairou no recinto como um grande fantasma e logo pousou sobre a mesa de centro. Abismada, Dora apanhou um pedaço de gengibre que por ali passava e mascou sem receio. Aquele bolo de taturanas não lhe havia feito muito bem, com isso chegou à conclusão de que passava por uma fase estranhíssima de sua vida. Seu filho lhe roubara, um mês antes, todas as forminhas de pão-de-queijo (que algum tempo depois ela descobriria serem trocadas por carne moída no açougue) e sua tia do interior vivia lhe telefonando para tentar passar um trote dizendo ser da Polícia Federal. Essa grande luz repentina era, no mínimo, interessante.

Recortes

Perdi a paciência e te cortei em três pedacinhos
Com um deles fiz um avião de papel, que planou sobre toda a cidade quando o lancei da torre da Telepar
Do segundo fiz um belo embrulho e presenteei minha melhor amiga
O outro eu coloquei no liquidificador e reciclei, transformando-o num belo caderno de anotações inúteis.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Manifesto

Em busca de uma nova visão de si mesmo
Abre-te encéfalo, abre-te

Que abram-se as portas da percepção
Para que estas não sejam emperradas por pensamentos mesquinhos
Que abram-se aos poucos, no entanto, para que não haja falhas em sua estrutura
Que a transformação ocorra naturalmente, pouco a pouco
por vontade e motivação próprias de cada um, já que ninguém evolui por outros
Que julgamento nenhum desmotive a busca de conhecimento
Que preconceitos, ilusões e mentiras não prejudiquem o caminho do bem

A mente expandida é um elástico, nunca volta ao seu tamanho original.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

De resto

Veja se o que te falta não é o que me sobra...assim, poderíamos até completar um ao outro, quem sabe...se o destino quisesse que nos quiséssemos...até daria certo, não?

- Me atirei no mar infinito da lúcida história da minha vida :: Descobri que por muito tempo andei devagar, pisando com cuidado sobre corações abarrotados, procurando tempos para encaixar no meu ócio e recortando uma personalidade inútil e vazia. Notei que muitos anos da minha saga foram consumidos pelo sono, alguns outros pela (má) alimentação e a grande maioria pelas tentativas de resolver dilemas. Passei alguns meses dentro de ônibus lotados, longos bimestres em engarrafamentos, filas de bancos, hospitais, escolas, restaurantes e supermercados, dois anos inteiros ao telefone, seis em frente ao computador, um semestre escovando os dentes e outro tomando banho. Usei nove dias para pedir desculpas sinceras, cinco para agradecer, treze para olhar as estrelas e, em média, vinte para cada música que foi ouvida repetidas vezes. O cinema me tomou três anos, os bares me tomaram quatro e as feiras-livres uns dois. Gargalhei durante três anos, chorei durante dois anos e meio, fui ao banheiro por novecentos dias.
Falta alguma coisa aí...sim, é o resto da vida.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Para ver

Um pombo-correio me trouxe a notícia de que você estaria na cidade em poucos dias.

Para te receber, fiz uma faixa em preto-e-branco, um buquê com cravos do meu caixão, uma escultura de unhas roídas e remorsos milagrosamente desenterrados. Preparei uma sopa de pedras e rosas, espalhei perfumes sufocantes no pescoço, enrolei uma echarpe nos pulsos para disfarçar. Desafinei propositalmente todos os violinos da região para que, quando tocados, tua fina audição não fosse mais que um pesado fardo. Joguei sal no chão, escondi morcegos atrás da tua porta. Esperei a tua chegada com dez facas na mão, estiletes e uma tesoura.

Esperei...e eis que chega o teu dia.

Quando te vi, mil carros passaram por cima de mim. Caíram os muros, caíram as pontes, caiu o helicóptero que sobrevoava. Caiu uma máscara, mais outra, e outra mais...todas as músicas tocaram ao mesmo tempo e todos os sinos badalaram. Todas as emas gemeram, todos os sabiás cantaram. As luzes dos faróis piscaram em ritmo alucinante, os trens soltaram mais fumaça do que o normal, uma fumaça colorida, estranha...tremores de terra aos teus passos lentos, raios de sol descamando a minha pele, feridas abrindo-se incessantemente. Ratos pulando de alegria pelas ruas, gente dançando, flores desabrochando a contragosto do meu orgulho. Era de se esperar, enfim, que tudo mudasse ao toque do seu repentino reaparecimento. E era de se esperar, também, que todas as vontades de odiar a tua presença se voltassem contra mim.

Assim, você me machucou e tornou a me machucar, assim, sendo tão assim. Tentei seguir firme em meus intentos de evitar te olhar nos olhos e, ao falhar, meus olhos se inundaram de uma preguiça insuportável de vingar-me.
E te amei como nunca amei outros olhos.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fechei as minhas portas, me tranquei e engoli a chave.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sonhos são versões alternativas da realidade

- Sonhei com você comendo dois pães, uma aranha me picando e meu cabelo pegando fogo.
- O fogo significa renascimento. A aranha significa traição. Os dois pães, portanto, você deve imaginar o que significam...
- Ah, entendi, você me traiu, então?
- É, mais ou menos por aí...
- Ah tá...pensei que fosse um mau presságio, que susto!

domingo, 11 de abril de 2010

Saudade

A saudade das estrelas-cadentes
A saudade do mar
A saudade da saudade que eu nunca tive
A saudade de estar

A ansiedade de caírem estrelas-cadentes
A ansiedade de ver o mar
A ansiedade de ter saudade
A ansiedade de estar

A novidade ao cair a tarde
A novidade ao ouvir o mar
A novidade sem ansiedade
A novidade está

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rei

De profícua imaginação, o caramujo se contorce em si mesmo, acomoda-se em sua espiral e passeia pela praia. Olhando os gigantes que desviam, as crianças que apontam com nojo e os cachorros que lhe aproximam o focinho, o molusco atira-se num fantástico mundo em que é dono de tudo e de todos, onde o povo lhe rende silenciosa obediência. Em seu úmido casulo pode ouvir os pensamentos de seus súditos e, ao menor sinal de idéias subversivas, mandá-los para a prisão ou para o enforcamento. Em seu delírio assiste a uma disputada corrida de maruins, em que conhece uma apaixonante barata-do-mar. Passeia pelos mares infinitos, todos parte de seu patrimônio, conhece os mais distantes limites do oceano. Inebriado com o som das sereias, se deixa levar pelas ondas, ora flutua, ora arrasta-se pela areia profunda. Tem na cabeça uma leve coroa e no casco um belo manto de seda vermelha. Fazem parte de sua corte inúmeros servos - cozinheiros, costureiras, bispos, guardas, bobos-da-corte, músicos, espadachins, sapateiros, barbeiros - e a todos dá ordens com olhar benevolente.

Num descuido, algum banhista distraído esmaga-o com o pé.

Caminhos abertos

Sou capaz de relacionar o irrelacionável e de enxergar o invisível.
Posso ver através de cinismos e hipocrisias, distinguir falsidades em meio a grandes sorrisos.
Consigo, sem muito esforço, vociferar palavras duras e verdades inconvenientes, mas agrado facilmente quando, a duras penas, me humilho e peço desculpas.
Dificilmente sou enganada, pois sei enganar muito bem.
Dificilmente sairei ferida de uma briga, a não ser que me fira para tornar o adversário mais vulnerável. Ainda assim, evito sempre que posso os conflitos.
Sou muda, não tenho olhos, visto sempre a mesma cor de roupas.
Ouço muito, pois sei que é através das orelhas que entram as pedras mais preciosas de sabedoria.
Gosto de gente, gosto de crianças, de velhos, de animais comportados. Gosto da lua e das folhas verdes, da paisagem montanhosa e de rios gelados. Não gosto de civis, nem de militares. Não gosto de dinheiro. Não gosto de carros. Não gosto de calçadas.
Penso quando caminho, ando sem destino por aí. Olho nos olhos de desconhecidos num ônibus lotado, me apaixono perdidamente por um olhar qualquer, logo esqueço e volto a me concentrar numa bela canção. Falo nove idiomas diferentes, sou cosmopolita e regionalista. Tenho medo de sombras, de comidas estragadas, de detergentes e de cigarros acesos. Sempre peço conselhos a um estrangeiro, a um monge ou a uma freira, mas igualmente sei que a solução de todos os meus problemas está dentro de mim mesma. Aos que me confortam dou pancadas, aos que me batem, ajoelho-me e agradeço.
Já tive vários corações. Com um deles perdi minha identidade, com outro perdi meu cabelo. Usando um certo terceiro virei-me do avesso e o arranquei fora antes que fosse tarde e não me sobrasse artéria para contar a história. Do quarto guardo a lembrança do pulsar irreverente e macio, o quinto afogou-me numa música inebriante. O sexto se partiu em dois e deixou-me a vagar sem coração pelo mundo esquisito.
Ainda, tenho esperanças de mudar de planeta e a certeza de poder voar um dia.
Por isso me calo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Terceiro grau

- Queimou meu dedo.
- Olha, não posso fazer nada a respeito, você estava com o dedão aí, de qualquer jeito, acabei passando o lança-chamas.
- Tá, mas vê se toma mais cuidado daqui pra frente!
- Eu já disse, a culpa foi tua, eu estou manejando um objeto perigoso.
- Você não conhece o perigo. EU sou perigosa.
- Ai, senhora perigo, tô até com medo.
- É bom mesmo, uma vez estrangulei um, só por ter me vendido um sofá de má vontade.
- E pra quê você queria o sofá?
- Pra sentar e relaxar depois do trabalho, oras, pra quê mais seria?
- Ah, sei lá, você podia querer dormir nele. Sei lá, tem gente que gosta.
- Aaaai meu cotovelooo!
- Que foi??
- Você me queimou de novo!!
- ...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Rainha

Todos os dias ela apela para a rádio Am, na falta de coisa melhor para ouvir. Sintoniza a estação gospel, se lança no infinito cinza da rua XV, caminha passos apertados e velozes na ânsia de alcançar de uma vez por todas o toldo vermelho apagado da loja de roupas em que passa 10 horas mal vividas de seus preciosos dias. Fuma uma última tragada antes de entrar, e, ainda esquentando as mãos para derreter o gelo das sete da manhã, passa o cartão magnético na catraca dos funcionários. Bom dia para o segurança, bom dia para a faxineira que já se prepara para começar o serviço munida de luvas, escovão e acessórios. Bom dia espelho do elevador, bom dia cara inchada. Bom dia remelas, bom dia unhas sem pintar. Bom dia outros magníficos colegas de trabalho a quem nunca confiaria sequer dois reais. Bom dia felicidade garantida e loucas pessoas implorando um desconto, reclamando de tarifas indevidas, atrevendo-se a dirigir-lhe a palavra enquanto se concentra na dobra de uma ou outra peça jogada pelo chão. Anima-se, no entanto, pois logo será a hora do almoço, finalmente encontrará Juvenal.
Até que enfim.
Empregados enfileirados, nem parecem ter fome ou algo que o valha, no melhor dos casos parecem formigas esperando uma consulta breve com a rainha, resignados, já vencidos pelo cansaço em meados da jornada. Ali ele está, servindo os bolinhos de carne - o sorriso não esconde que o avistamento é recíproco. Prepara seu melhor rosto, lhe mostra os melhores dentes, profere as mais criativas palavras:
- Nossa, hoje parece que tá bom...
- Especial pra você, minha rainha!
Recolhe-se a seus aposentos reais, na mesa perto da janela. Avista lá embaixo a praça Zacarias, movimentada, cheia de ciganas que prestam seus serviços aos transeuntes apressados. A chuva dispersa os consumidores e a praça fica reservada aos vendedores de guarda-chuvas, que aparecem como num passe de mágica.
Fica feliz ao lembrar que trouxe o seu, deste tempo de Curitiba que mais se pode esperar, afinal?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Caminha-te

Respirou profundamente :: finalmente compreendera que os seres humanos apenas imitavam uns aos outros na tentatival inútil de serem o que não são. Julgava que por obter tal conhecimento rompia com todas as regras do mundo, destituía-se de seu posto de observadora para passar a ser uma participante na coletiva geração espontânea do universo. Deformava todo o conhecimento social, antes motivo de orgulho, na ânsia de esquecer que um dia também fora como eles - animal, quente, desgovernada. Saiu descalça pelas ruas - estas enchiam de palavras mal escritas, luminosos e acidentes geográficos desnecessários seus olhos apertadinhos, já lacrimejantes pela fumaça que emanava dos escapamentos. Japoneses e poloneses, turcos e judeus, cariocas e gaúchos, todos formavam uma grande massa disforme que espalhava desejos e fabricava objetos medíocres, sempre acelerados pelo ritmo dos vermelhos ônibus com duas sanfonas - gigantes minhocas entrecortando a paisagem - e confortados pelos pastores nas portas das igrejas.
Flutuava, pois estava sem calçado nenhum.
Via torrentes de gente entulhadas nos caixas de supermercados, shoppings cheios de incertezas e restaurantes rápidos como uma digestão não deve ser. Atingiam-lhe especialmente os olhares de crianças sujinhas nas ruas vendendo balas. Só não lhe agradavam as que tentavam fazer malabarismos com laranjas - achava um desperdício de frutas. Cartazes anunciavam as modelos e suas roupas, os remédios e seus efeitos, os vereadores e seus incríveis empreendimentos, os celulares e suas magníficas tecnologias. Tudo aparecia, tudo estava claro, tudo muito prático e fácil.
Tudo, no entanto, parecia um grande saco vazio, agora que ela estava cheia de ser.
Tinha de ser. Tinha um ser com quem já não se identificava, posto que não se identificava com coisa nenhuma, nem com ela mesma ou com quem quer que fosse anteriormente. Tinha nisto a confirmação de que não era nada.
Apenas um saco vazio cheio de si.

domingo, 4 de abril de 2010

Da grande bola branca

Lua olha pra mim e eu olho pra ela
ela não me diz nada deve
ser a distância a saudade a solidão
ela rodeada de estrelas eu rodeada de
espíritos nos saudamos uma à outra mas ela é só
símbolo e já começa a desaparecer novamente
virando minguada pra
depois sumir de
vez.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Símio

:: O homem é um macaco que toca violão ::

Toda música que temos aqui é apenas um reflexo da música de Deus, uma parte infinitesimal da imensidão em que realmente se encontra o som, o próprio ser supremo que habita todas as partes do universo.

Não é à toa que nossos ouvidos não têm pálpebras.