terça-feira, 4 de maio de 2010

Dança

Dançando na madrugada fria, danço noite, danço dia
Dançam as nuvens, dança a foice no braço torto manso, olhos paralíticos, olhos de lince, olhos de ver
Dançam as árvores em sutil balanço presas à terra que inunda fértil a criação do universo
Danço peixes, danço mares, danço pregos prepotentes de estilhaços nos pés
Os pés esburacados, as mãos que balançam o equilíbrio perfeito
A dança do sorriso, a dança da dança do não ser, a dança do poema e do verso, dançarinos das palavras malditas
Danço a invenção, a rima, a prosa e a carta de amor, dançaremos juntos até meu verso calar - até minha boca secar
À repetição, ao cansaço, à timidez e à preguiça, dancem, pois, por não temer a má notícia
Das trepadeiras nodosas, dos troncos e das bebedeiras, dançam então, ao sopro da floresta inteira, as sete maravilhas do mundo redondo, os tetos limpos, os gatos frescos, os pais aflitos
Danço na escada da escola retalhada pelo tempo
A dança que deixam meus passos atentos

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