sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Maré II

Sei bem o que é ter o corpo fechado
Conheço o olhar de quem não tem nada a perder a não ser o tempo
E de quem espera não perder mais nem um minuto em devaneios

Permita-me escolher desta vez a voz da noite - suave, um pouco rouca
Escorro-me na areia: faz tempo que não chove!
Sei bem como é não estar presente
Conheço o olhar de quem pressente uma traição
E de quem tem certeza de que já traiu

Já vi esse rosto em algum lugar (terá sido no espelho?)
Esse olhar, que mais uma vez aponta para o rumo da coisa que coisa que coisa que coisa ainda mais agora
Olharei para dentro, então, já que não encontro mais nada do lado de lá do mar
Vagueio pelo lado de cá
Sem ver o horizonte, mas sentindo a brisa da manhã bagunçar o meu cabelo.

Um comentário:

  1. Olha pra si
    E de dentro enxergar tantas outras pessoas
    Olhar para o lado
    E de fora perceber tantos "EU’s" soltos por aí
    Corrói
    Deixa dolorido
    Engana

    Enxergar e perceber nos coloca frente a frente com o que fomos, somos e ainda vamos conseguir ser.
    é muita maldade
    Mas quem enxerga sofre.
    E só quem sofre vê o horizonte perdido.
    As bagunças e desordens da vida em sociedade
    Me diz...
    seria tão mais fácil se vivêssemos sozinhos?
    E se sozinhos nos completássemos?
    Não haveria sofrimento, trauma e também não haveria VIDA.
    A imaginação pára de construir castelos na areia ou de voar para quaisquer rumos.
    Não pode ser bom.

    "A grandeza está em sofrer sem ficar desanimado" Fenelon

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