domingo, 30 de janeiro de 2011

Aperta mente

Sou eu quem te controla
Repetes repetes repetes repetes e ficas falando sozinha
Deste lado deste lado deste lado deste lado
Passa passa passa passa
Repete repete
Alivia...

Agora sim, substrato de matéria pensante
Sois vós quem me controla ou contrata meus serviços
Admite-me como utilitário corpo de massa de manobra
Externaliza-me nas coisinhas pequenas
Aquelas coisinhas que só nós duas conhecemos
Aquelas palavrinhas mágicas repetidas repetidas repetidas
Repete repete repete repete
Aqui dentro
Observo a tudo de longe
Participando do espetáculo de enlouquecer.
Através do olhar é possível ver a profundidade da alma humana.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Temporal

Tenho jogado fora tudo o que de belo
Atirado ao mar tudo o que de grande
E que de hábil
Jogo contigo todas as cartas
As lembranças, as angústias
Tudo o que de fácil se tornou viver em últimos tempos
Perdido a rodo tudo o que de macio falar
Calado tudo o que de palavras
Mais tenras...palavras
Jogo ao tempo este que de breve
Breves anos, logas datas

E logo por quê me encontro articulando as mesmas sílabas?
Jogo os dois lados, lado escuro e clara idade
Apenas por jogar
Jogar ao tempo, novamente
Que o tempo traz a moldura do meu agora

É como olhar de uma janela
A tempestade que de lá fora.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Abre-lo

Ainda me dá o tempo de deter a poesia
Toda aquela grande feiosa máxima de que "somos o que devemos ser"
Amigo-me ao tempo do tempo no próximo tanto de horas vívidas
Ao esperar mais minutos do que deveria para fazer o que não queria
E ser o que talvez não seria
A líria no resto do fundo do rastro
Sobra, de invídia, o que diz-me de teu sono lento ao vento
Livra, de insídia, acredito que o peso de ter nos olhos alento.

Hemisfério

Eu e minha grandiloquência
Passeamos pelo mar infinito da vontade
Aos pés do que não pode ser dito de verdade
Às mãos dadas ao crime de insurgir-se pela metade
Ao leio, digo
Que persigo novamente meu novo ser antigo
Que sou sempre os mesmos dígitos nocivos
Espalhando, espalhando...

Já não me basta ouvir, tenho que falar
Dizer que me tropeço não me conheço ao avesso
Espesso
Ao preço do passo caminho da ponte dos ossos
Um lado gira outro lado roda viva no círculo ancho e grosso
De um lado ao outro como se estes não fossem feitos do mesmo sangue
Volta e revolta, atira e atrai, postula e rotula
Penso, penso...logo desisto!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Este blog se autodestruirá em 9...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Casa

O que toca
Aos pés do ouvido o chão alcança
O teto
Da coisa
À força
Do medo

Tocam
Os passos os laços da sobriedade
Os saltos da ansiedade
Aos calos das mãos dos dedos marejam
As folhas dos caules dos brincos desbeijam
Depredam-se
Pisamonte
Pisante
Aprisionan-te

Deixa o beijo e sufoca na imensidão.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Picadeiro

Não desisto
E assisto de camarote ao circo
Não é que me chamaram pra fazer parte dele?
A boca do leão sempre foi o meu lugar favorito.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Bem a vagarinho
De maravilha
Em cor
Em sede
Pede me impede
Ronda mais um sonho
Volta mais um passo
Pula mais sangue
Sente mais pulso
Firme firme firmeza
Aqui deixa
À prova
Mais uma ronda
Mais uma volta
E volta
Ao ponto exato
Do nó
Da madeira
Que desato.

Alto

Tão ponto
Tão instante
Que não me reconheço
Que todas as partes de mim já estão aqui, presentes de alma aguada
Que tudo se derrete e absorve
Que a escada chega no mar e sobe e não requer esforço
Que estas direções estas coisas certas tão certas e tão assustadoras
Entreolham em todas as direções sentidos mudos em alto e bom som
Que mudam mudam e voltam ao mais alto
O centro acima, o nada, o agora, o sempre.
Estou na tela da pintura do universo
Os pensamentos são meus pincéis
A tinta é tudo quanto faço e deixo de fazer.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Espelho

Tragicomédia dos pensamentos toscos
Afundou-se mais uma vez? Pois tome esta bóia - é feita dos meus cabelos

Sempre me apego ao que não tenho
Sempre os defeitos na perfeição
Sempre
Pois encontro nada mais que uma imagem de mim mesma na alma alheia
Estampada feito uma Mônica mal desenhada em muro escolar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novela

Como um sussurro mugido
Ela
Pássara mansa no abismo mudo
Pula
Lança
O olho
Descansa

Corre outra vez, atrás daquilo que ela, não tendo certeza de ser orgânico ou reciclável, mandara direto para o triturador - maldita coleta seletiva!

Abre-se para o novo, mas o novo não chega
O novo fechou os olhos
Como fecham-se as esfinges ao não terem descobertos seus enigmas
O novo se cala
Pois assim fazem os mais sábios
Calam
E consentem
Com o que a vida lhes oferece
O suficiente
Para alimentar uma poesia
Uma nova fantasia
Ou uma barriga vazia.