sexta-feira, 29 de abril de 2011

Agora vou brilhar como me mandaram
Brilhar naquilo tudo que eu queria
O amor que antes me mataria
Agora me esvazia
Agora me alumia
Me anuncia

Eu renuncio, sem saber renunciar
A tudo o que de mim se apodera
Para então renunciar
à minha própria vida
Em favor da liberdade do espírito
Do amor que tanto sinto e que sinto
Do amor que tanto sinto
Sem palavras
Sem mais
Amor

domingo, 24 de abril de 2011

O vestido pronto, as flores, o padre. Tudo pronto. A mãe chorando na platéia, o vestido salmão pronto. Os amigos prontos, famintos, prontos. Quando estaria pronta, se não era para ela aquilo tudo?

- Os outros fazem por nós o que deveríamos estar fazendo. Como deixamos isso acontecer?

O noivo olhou, pensou, chorou...era isso mesmo, eles não queriam estar ali, fazendo parte daquilo tudo.
Dou um passo, o último passo se perdeu na espiral do tempo. E o que eu digo agora já não é mais o que digo, pois quando digo já disse, já foi. Agora não é, já foi. O atraso no tempo explícito música. A música foi. A música. É o que já foi. O que será já foi. Sou amor. Amor já foi. Sigo aqui. Não isto, não, o que não pode ser descrito. O que é. Que não pode ser dito. Amor. Também não é. Já foi.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quem pede sempre pede. Quem dá sempre tem.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

À procura...

"Mas eu posso dizer: “eu não encontro, eu não sinto, não acontece”. Eu não tenho que esperar uma epifania. Eu tenho que saber que, se eu for fiel e se fizer isso sem nenhuma motivação exterior, mas porque é o único caminho para mim, é a próxima tradução da minha realização e busca de sentido, e se eu fizer isto com uma consciência crítica de que estes, os que atravessam os portais interiores, são os seres que podem realmente brilhar e salvar os outros, não com as mãos nem com a boca mas com o teu campo vibratório, então tu voltas, sentas-te outra vez e esperas, na fidelidade, na autoridade interior, na força e na segurança, porque depois o “outro” vai andar à vossa volta a tentar minar a vossa segurança até que o indivíduo colapse na sua fé e na construção da fibra óptica e do grande canal interno e retorne à consciência do senso comum."

André Louro de Almeida - Disponível em http://lys-eter.blogspot.com/2006/11/procura-do-cristo-interno.html

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Querer

Se te quero como quem não quer condenar
É porque mil vezes te espero sem nada alcançar
Se te quero como quem finge não querer
É porque quero mais que o infinito que olhos podem ver
E quero
Pois que só espero.

domingo, 17 de abril de 2011

Mar

Há que se apaixonar
Sentir-se respirar
Deixar brotar
E fenecer

Há o que não se vai
Sem fim sem palavras para amar
Deixar-se ser estar
E morrer

Há que se aproximar
Esquecer o belo e o horizonte
E inspirar
O dom de conhecer

Há que se calar
Se encontrar no fundo mar
Afogar
E se perder.

sábado, 16 de abril de 2011

Poemática

Nosso tema se desenrola, abusa do tempo que lhe demos
Abstrata-me de erros:
Temos agora, mais que uma vida, um segundo de silêncios
Possíveis até, divisíveis
Em rima, prosa e canção

Nosso tino nos observa, sempre de longe e de perto
Penteando os sonhos mudos, apagando o que era certo
Temos agora, mais que a estrada, um caminho no deserto
E o senso costura sempre
À lembrança um defeito

Peça-me tudo
Que a tua presença deixa de ser ausente
Quando de olhos respiro o profundo
Desafogando a minha mente.