quinta-feira, 26 de maio de 2011

Passos

Necessária és tu, oh tristeza!
Para que eu não me afogue no mar da tranquilidade:

Espelho da incerteza, deixe-me beber na fonte do esquecimento, alimente-me de esperanças inexatas; Eu enxergo, no plano das minhas contradições, o amor profundo, o ódio e as consequencias - assim, saio das trevas para entrar nas trevas, para entrar nas trevas e atravessar a luz.

O fio da meada deve ter um começo, então:

Caço palavras como um cão ao gato, plenamente movida por desejos insatisfeitos de exprimir, esculpir à faca a face nua da vida, em sulcos, ocos, rasgos, traços na pele, na tua pele profunda e opaca, os olhos profundos e opacos...apagam-se brilhos no pensamento, passam as palavras, tanto passam nas horas que ainda existem, nos caminhos da minha corrente elétrica, para tuas correntes, para nossas cadeias, câmaras frigoríficas em que enterramos nossas memórias, frias de gelo, de rochas, de pedras horríveis...assim encantam-me, as palavras, novamente. Encantam-me e criança brinco, com tristes risos e falsos encontros, quem sou eu que me encontra no outro lado do dia, daquele outro lado em que deixo estarem minhas angústias e dores, daquele outro lado, aquela sombra, aquela velha...aquilo. Calço palavras, calço, pois estas me servem até certo ponto, até que meus passos se cansem de falar, até que apenas andem e me carreguem para o infinito (isto...isto não pode ser dito!), o que é o conhecimento?

Nenhum comentário:

Postar um comentário