quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De pérolas, um pouco do fundo do mar

Veste-me com seus impuros véus
Veste-me
Com sua essência branca, eu embevecido entre tantas e tantas fadas
Veste-me, pois sou tão pequeno e tão frágil
Caibo numa palma de uma mão
Tão pequeno e imperfeito...
E tão sério

Sou tão nu quanto uma pérola
Explodo do ventre da vida como saindo do fundo do mar
Veste-me, pois me sinto seu e todo inteiro
Desagregado, desconstruído, amargurado
Nu
Como tu.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Dois lados

Eram duas idéias girando no torvelinho dos meus pensamentos
Eram duas fases, transitórias, esquisitas...
O lado esquerdo, briguento
O lado direito, atento
O meio, surdo, cego, mudo e incapaz
E o centro, tudo, ocupava o espaço de uma agulha num palheiro

Penso que sempre me esqueço dessas duas fases, e passo a viver intermitentes momentos de agora
Esqueço passados, méritos, crises
E o que fica é essa sensação de bem-estar
Assim, lembro que tudo é uma questão de ponto de vista.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Venha que o que vem...

Parece tão fácil, é um dia perfeito. É um dia perfeito comigo perfeita. Não tenho erros, evito dúvidas. Assim, sou perfeita por um caminho perfeito. Os sonhos são fracos, os ouvidos cansam rápido, penso que sou surda ou muda ou cega, tudo de uma vez. E os dias são iguais. Tão iguais que parecem nuvens, voláteis, cheias de um branco inconstante. Um branco. Perfeito. Branco perfeito. Já entreguei tudo o que tinha, a casa, o carro, os homens, as mulheres. Tenho tudo nas mãos e não tenho nada, tenho uma idéia para ótimas empreitadas. E nada. Tudo é tão perfeito que não vou mexer em nada.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Lapso

Talvez Verônica não fosse completamente louca. Às vezes lhe sopravam ventos de lucidez, como brisas calmas que varrem as folhas secas. Talvez não fosse, de fato, uma lucidez irônica, ou simples lapsos de consciência do estado em que se encontrava, mas sim uma extremidade do sinuoso caminho que costumava percorrer, uma curva, uma esquina em que dois pensamentos poderiam se equilibrar e formar apenas um.

Verde

Para entender o mar não basta saber por onde vão suas correntes, não basta medir sua profundidade, não basta conhecer a quantidade de peixes que nele habitam. Não basta apenas sentir o gosto do sal, observar sua imensidão...é preciso se deixar levar pela correnteza, é preciso navegar.

Para entender o mar, talvez, seja até preciso se afogar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fogo

Queria escrever coisas do fundo da minha alma
Ora, minha alma é um poço sem fundo de sentimentos, emoções e silêncios
Um vazio cheio de ar, de fogo e de paixão
Um poço raso e profundo, eu mentalizo a minha alma.

A alma mentalizada:
Fiz um caminho para o meu espírito
Através dele posso voltar e avançar a qualquer momento
Na direção do infinito
Na digressão de movimento

Eu, combusta e infitina
Faço uma força descomunal para trazer-me de volta à terra
Sentimental
Carnal

Não tão descomunal
Assim sendo, posso seguir vivendo.