quarta-feira, 28 de março de 2012

Diálogo 2 - Agora

A solução para todos os nossos problemas é estarmos presentes aqui e agora. O passado fica para trás, e o futuro...ainda virá! Por quê nos preocuparmos, se o agora é maravilhoso? Respirando, simplesmente estando, estamos em sintonia com nosso eu universal. Assim nos tornamos um - o todo - e a vida conspira para que tudo fique bem.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Plateia

A arte é para ser distribuída sem distinção de cor, sexo ou religião. Todos merecem apreciar o melhor de mim, todos merecem minha melhor apresentação - tenho pena de deixar meus receios tomarem conta de meu cantar, contaminar com meu egoísmo qualquer peça minha pregada no quadro da vida. Deixem-me ir, que fluo como rio para um lugar comum, cantando melodias para deus e o infinito: canto pois persisto, e o diabo que me aplauda.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Diálogo 1 - Inconsciência Coletiva

Passamos boa parte da vida tentando nos encaixar em padrões de comportamento e estilos de vida que não nos são naturais. O mesmo se dá com o pensamento, pois ao longo do tempo adquirimos e reproduzimos opiniões sem realmente refletir com espírito consciente sobre as questões da vida, estratificando comportamentos, gerando uma massa de (in)consciência coletiva e medos frente a qualquer mudança. A origem dos conflitos reside, pois, na falta de auto-conhecimento, ou seja, ausência de iniciativa e motivação para buscar melhorias internas. Há guerras porque os seres humanos vivem em conflito diário com seu próprio interior, ou seja, não aceitando-se como são, não podem aceitar aqueles que vivem ao seu redor e possuem compreensões adversas às suas, referentes a experiências de vida diferentes. Assim, tornam-se prisioneiros de suas próprias crenças, entre elas a de que a felicidade é algo externo que, por bondade de algum deus ou guru, lhes será concedida gratuitamente e sem esforço. A ilusão da separação entre corpo, alma e Deus é fonte de confusões mentais e tristeza, pois, assim alienados da unidade do todo, não podemos perceber a beleza da manifestação divina em tudo o que nos rodeia, desde a pequena formiga que corre para seu trabalho, até o esplendor do céu e de tudo o que ele contém. Somos tudo aquilo que acreditamos ser.

Em vida

Estou em música
Transpiro pelos poros do universo, em todo lugar
Em vibração e transparência, sem nome, sem cor
Em vida

Conhece-te a ti mesmo, aí está Deus

As palavras não servem para entender o tudo
O que está por trás das estrelas é o que deve valer a pena:
Ler as entrelinhas, ou ver uma constelação que não significa nada por si mesma, mas que observada em seu girar infinito revela o que cada momento quer dizer

Sou pássaro que brilha, sou sol, sou luz
E em tudo me estou, sem pensar, sem parar
Eterno, brilhante
Em vida
Em paz.

sábado, 3 de março de 2012

Confins

E aqui estou eu novamente, trocando em miúdos o dia pela noite. Não posso dormir com tanto quarto bagunçado, não posso! Minha noite de lua vira um saco cheio de realidade viva, e as luzes do ser simplesmente não me deixam fechar os olhos. Tenho tanto medo de mim mesma que não posso me fugir, apenas corro em círculos e ando em felizes ruas através de sonhos e futuros vis. Todos ao redor sonham em si mesmos, ou menos, e não posso viver longe dessa coisa tão tácita que é o saber-se enfim. Temo-me ao tal, que ponto sem passo não dou, e nó sem agulha já sou, sem furo, remendo, assim. Dou vida aos cadernos, cadeiras, colares e meias que espalho em minutos com vista a seu fim, e em tudo me faço, me passo sem gasto aos traços que em suma ainda deixo de mim.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Canção

Falo em samba e toco valsa
Falo em blues e toco bossa
Por que sentidos meu senso circula
Que só meus olhos entendem ou vêem?

Escrevo certo por rimas tortas
E na canção minha vida se encrosta
Falo em dois, toco em três, não importa
Se no início me afundo em poréns

Uma vez comida pela traça
Na troça de amor consumida de graça
Se vai a dor ao seu leito e disfarça
Já no fim se acostuma aos améns.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Retrato

Algo me diz que devo sair
Olhar o sol, respirar
Antes que se esvaiam os raios e os girassóis
Antes que se acabem as orquídeas e as borboletas
Algo me chama...será meu instinto, talvez?

Minha morada é a selva escura
Minha casa é o nada, com vista para céu e chão
Me toca o teto que a tudo abre luz, me levam vento e mar, a todo lugar, sem de nada eu precisar

E das asas, o que falar?

Quando já for do que o ar mais leve
Quem sabe para que vão servir?
Despluma, asa leve, voa
Voarei!