segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Para o intruso

O que quer que seja agora
Não pode ser o que tenha sido ou o que virá a ser.

Tenho que parar de fazer tantas relações inúteis na minha cabeça. Essa exacerbação de busca de referências  para atos simples da vida talvez fosse mais interessante se eu quisesse me dedicar a alguma atividade que exija um raciocínio matemático, uma des-abstração da inteligência focada na resolução de problemas pontuais. Talvez se eu fosse engenheira ou uma acadêmica plena. Por enquanto, cérebro, pare de fazer tantas relações. Obrigada.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Para a musa

As palavras são facas, são feras.
Menos cortam navalhas, pois ferem a carne - não o espírito
a fenda se fecha e sara, não faísca de orgulho o coração ferido
e não fagulhas fazem os ferros, o vidro moído.

Palavras são fogo, são falhas
Espalham fadadas o gozo, as vaias
as dores retorcem, e enfim nada fazem, sentadas
à espera das flores - fachadas
só fincam rumores
faladas!



Assassínio

Sim, amigos, eu matei Dionísio!

Sangrou como um cabrito - o maldito.

Lavei as mãos, fui pra casa e fiz um ovo frito.

Comi feito um perito.

E adormeci ao som de Beatles.

SIM, AMIGOS, EU MATEI DIONÍSIO!

Dentre todos os delitos, foi o meu favorito.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quem conta...

Percebi que é só escrever e deixar a mente ir...não parar por nada. Quando paro, minha mente pára e desaparecem as opções de lapidação de pensamentos brutos. Os primeiros pensamentos são necessários. As selvagens impressões. A tempestade cerebral. Os primórdios do desenvolvimento intelectual, a primeiridade.

(Confesso:  fiquei com medo da floresta de incoerências que me assombra cada vez que me proponho a entrar no mundo da escrita. Talvez preguiça. Ou impaciência.)

Quando penso em possibilidades de opiniões acerca do que escrevo, tudo se embaça e perco o rumo, paro a busca. Decidi tentar de novo: escrevo para nunca mais e sempre em frente, para não parar de pensar nem por um momento e ativar em mim novamente a vontade viva de criar. Escrever também é criar mundos. Escrever é montar cenários. Escrever é cantar em silêncio.

Medo de ativar o turbilhão que algumas vezes já me incomodou? Talvez, inconscientemente. No entanto, sinto-me tão controlada que a impressão de ter tudo sob meu domínio, inclusive minha loucura, me leva a experimentar os limites de minha sanidade. Piso com calma na água gelada, deixo os pêlos se eriçarem. Sinto o frio como quem prova de um delicioso café quente, escorrendo por dentro, só que de baixo para cima. Até o topo dos fios de cabelo. Bem, se eu tivesse sensibilidade na ponta dos fios, talvez eles estivessem reagindo a esse choque. Piso leve, e a sensação de estar novamente envolvida pelo tráfego místico das palavras me embriaga, me afoga - só de pisar. Mal espero para estar imersa outra vez no fundo do poço.

Escrevo como um náufrago. Como um prisioneiro cavando um buraco de saída. Um túnel secreto. Escrevo como Eva que prova do fruto proibido. Escrevo, simplesmente, para me lembrar que existo.

Busco nas fontes toda a cultura, busco nas fontes todas as opiniões, busco nas fontes tudo o que me alimenta de bons estímulos, de boas notícias, de boas vibrações. Ouço música, vejo filmes, leio livros. Conto comigo mesma e com alguns bons amigos, que me amam e conhecem. Assim, filtro o que vejo com lentes coloridas e me aventuro a contar, com minhas próprias palavras, o que não é meu.