quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Anoitece

Adentro novamente neste sutil emaranhado de emoções controversas - aquele topo de montanha que já foi classificado como "inclassificável" entre todos os sítios semi-inacessíveis da cordilheira íntima na qual me deixo dissolver vez por outra, quando aquilo a que chamam de "sensatez" desnuda-se todinho na minha frente e resolve sair correndo aos saltos pela Alameda Cabral. Por que não, então, mergulhar de vez? (Ou escalar, segundo a perspectiva e a dramaticidade de quem lá chega). Por que não se afogar em derramamentos magmáticos de delírios constantes, em selvas de "nãos" e "talvez" e "porque-sims", em vales infinitos de ódios e pequenas brigas autênticas por autenticidade, de pequenas confusões e pequeníssimas ofensas, pretensas-ofensas. Olho pela janela e é tudo tão pequeno...olho para dentro e me vejo menor ainda...em pequenas crenças e pequenos cultos, pequenos olhares e pequenos sustos, mínimos detalhes...

Ainda assim, minha mente me sacaneia bonito e não me deixa dormir, me joga no chão e me chama de tapetinho. Esquece que sou maior do que tudo isso. Esquece...simples e languidamente...me entristece.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

E o peito, cansado de calar
Agoniza
Inflama
E se afoga.
E o olho, cansado de enxergar
Eterniza
Decora as figuras
E se fecha.
E a mente cansada de mentalizar
Metal-iza
Endurece
E chora.

Considerações de um dia normal

Hoje é um dia de reconsiderar.

Considero minhas falhas emocionais e percebo que sou feita de dilúvios de afeto e naufrágios de indiferença, cadeias de certezas e linhas tortas de insolúveis dilemas. Re-considero o que acredito serem minhas crenças e me vejo como um paraíso a nunca ser alcançado e um nobre juízo, uma ilha de só eu e meus erros certos, um deserto, ora se não? Me desgasto só, por não ser só e só ser, considerando as relações íntimas uma mera invenção sub-entendida em meu íntimo como a mais sublime regra auto-imposta perante todas as verdades falsas da farsa social. E confundo. Confusa sigo-me em quebras de parâmetros bem milimetrados, mesmo quando infringir a lei é apenas uma convenção. Ora, se não é o ladrão o melhor dos impostores? Pois quero ver quem é que me prova que a terra é de quem chegou primeiro ou de quem quer que seja, sendo que somos todos paridos do mesmo ventre e para ele retornamos assim que suspiramos pela última vez...a gota d'água já secou, estamos perdidos.

A amizade humana é uma ilusão e somos todos irmãos.