sábado, 24 de agosto de 2013

Olha, ainda não me apresentaram nada mais sensato que a minha loucura.

domingo, 18 de agosto de 2013

A roda

Falo com meus tempos
meus compassos, minhas notas
Se falo por linhas tortas
é porque assim me percebo
Em meios-termos...tudo vira-e-volta.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A vida

A vida pode ser amarga
Depende da língua e do lugar da lambida.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Universo

Os mundos andam distantes

As almas, cheiros, formas
andam sós e a sós
e já não são os mesmos
dos tempos da minha vó

Os sentidos espaçados
milhas e milhas distantes, as caras e as bocas, as mãos e os abraços
Já não andam de corpos dados
as falas amorosas
os gritos, as prosas

Andam longe...longes
ao se verem não tangem
nem de hoje nem em diante

Mal-passados, os mundos
E mais se afastam
de tudo
ao tocarem
o fundo.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vazão

Medo de mim
do que posso ver e não quero
medo de ver tudo
medo de ser

Ai, do medo!

E medo de medo?
Aí sim fica complicado.

Escape

Porque não viemos com manual de instruções
Porque não sabemos viver, a não ser vivendo
Porque aprendemos no caminho a caminhar melhor
Porque ainda estou engatinhando.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Parto

Parte de mim à parte
em partes, porque ainda parto em busca de uma parte sua
durante o parto mais longo: a partida
em que partes meu peito em partes
e sobra um nada de vida.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Um tchau.

Do meu planeta
sigo o rumo do nada
em meu sorriso pra dentro, sorrindo pra mim
o melhor sorriso que tenho, pois me aproveito
e de tiro proveito
em teu peito
logo acima do diafragma
pra dificultar a leitura do ar

Que universos me acalmam?
Que universos me têm?
O meu, o nosso planeta
sem plateia, inventa
nosso vácuo de tédio ao respirar
nossa linha de vidas, meu mar
tua cara inventada ao cantar.



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Deserto

O espaço entre eu e teu beijo
O espaço entre nós, desata de repente
O vazio é o medo 
entre você e minha sede.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Crônica

Já que ao menos não posso te ouvir
Me guio e transformo tua fala em uma crônica
Pra criticar o que tinha de ser
Mas que não foi.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Café no guichê

- Oi! É aqui que começo a tropeçar em mim mesma?
- Pois não!
- Então, dá licença...ops!
- Tá bem?
- Ah, só um pouquinho machucada...me ajuda com esse corte profundo?
- Claro! Por apenas um real você adquire uma atadura!
- Hmm, então me vê duas...
- Ok, aqui estão.
- Obrigada. Onde posso encontrar o caminho de volta?
- Olhe, esse você vai ter que achar sozinha...temos aqui só o caminho de trancos e barrancos subindo a montanha sem fazer manha e o caminho escuro com cócegas bilaterais.
- Hum...acho que vou ficar por aqui mesmo, por enquanto...você se importa?
- Na verdade não, se quiser pode ficar aí tropeçando pro resto da vida.
- Ok.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Frágil

Ao teu encontro em verso frágil e prosa muda
espanto
o momento em que me olho e não sei onde colocar as mãos...

decerto não sei onde me encaixar na tua cabeça também.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Dizer que ninguém mais é original neste mundo de cópias, já é um clichê.

Café com a cidade sem amor

Da tristeza só dá pra rir
Da tristeza rir dá só
Só rir da tristeza dá dó
Dó de rir só da tristeza
E só


domingo, 19 de maio de 2013

Sonho com sombra e tons pastel

Sombra vagou pela cidade em frio
quase muda, Curitiba sempre a mesma
nem em dia de gelo e escuridão
nem mesmo em calor de secar roupas
nem com lua, lua?

Passou pela Osório, só dormentes
indigentes, as putas também
mas estas não dormem
a não ser em seus sonhos de acordar no momento do gozo
gozando estarem nuas
em plena madrugada a vêem passar

Sombra em Rua XV
O centro absorto em mortos, meio loucos
Meio torto...esse lugar
Mas passeia em público - os tucanos sem asas
e a sombra rasteja, pois não pernas
nem desejos
só o filistino olhar

Muito pinhão pra pouca terra
quanta escrita e pouca guerra
a cidade mastiga
sem dó e dignidade
o nó no vinho
o pó no bar

E a sombra não entende
pousa inocente
deprime, acende
a sombra some
a sombra assume
dorme.








sexta-feira, 17 de maio de 2013

Auto lápide para um nascimento contínuo

Se ninguém me entende, que me entenda eu mesma
pois de mim não posso esperar nada menos
que a melhor companhia
o melhor abraço
a maior alegria.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Café sem vírgulas com Sampaio e com plateia a gargalhar

Teu sorriso ainda me prende gasta e desmonta mas olho e nem olho porque talvez se eu olhar volte a me derreter e isso eu não quero pois já entendi que quanto mais eu sofro mais coração me aparece e o que eu queria mesmo era desaparecer do teu futuro do pretérito que pra mim agora é tão presente quanto essa poesia sem pontuação e essa breguice que me invadiu subitamente quando lembrei de você e do teu sorriso que ainda me prende gasta e desmonta e que eu olho mesmo não querendo olhar com aquele olhar de quem gosta do que está olhando e de quem quer saber mais e mais e mais e se apaixonar mais e mais e mais e se entregar mais e mais e mais sendo que já estava bem tranquila a ponto de nem lembrar mais da tua cara nem nada mas agora que te vi voltou tudo e parece que mergulhei de novo naquele furacão de emoções em que a gente mergulha quando está confuso e quando tem um amor não correspondido mas aí eu penso pra que sofrer se tem milhões de pessoas no mundo e um monte de gente já passou por isso e hoje em dia ri pra caramba da vida e agora mesmo deve estar rindo entusiasticamente da minha cara porque já passou por isso  também e agora está dizendo para si mesmo bem feito quem mandou.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Entre os muros

- Não sei, parece que me abri para um mundo todo novo, fechando-me para o teu...
- Ah, pois é, eu também...me fechei para o meu e um mundo novo se abriu!

domingo, 28 de abril de 2013

Café com bigodes

Reinventar momentos é essencial para o desapego: assim, podemos assumir novas formas de sentimento para um velho acontecimento. É uma opção, e eu escolho sentir bem o que realmente foi bom. Observar, pensar, lembrar, se preciso for, se a memória não falhar...e, acima de tudo, saber que não há regras para sentir e amar - pois, onde não há apego ao amor, há o verdadeiro amor.

sábado, 20 de abril de 2013

O nascimento da tragédia?

A idealização dos relacionamentos é o que nos faz querer sofrer com eles. Bom, não tem que ser assim: o fim de um relacionamento (utilizo esse termo por falta de um outro que evidencie mais claramente que o tal "fim de relacionamento" é, na verdade, uma nova fase do mesmo) pode ser prazeroso, como todo seu percurso e todos os outros aspectos da nossa vida. Escolhemos sofrer porque é assim que nossas mentes apegadas a valores egocêntricos esperam que sejam. A sociedade (também um termo que uso só por falta de conhecer outro melhor, pois remete à impressão de que haveria uma entidade impessoal que nos dita regras de comportamento - ok, vou deixar de purismo técnico) diz que a separação é sofrida mas, e se não for? E, afinal, qual é a separação? Nem quando morremos cortamos o cordão umbilical que nos une a nós mesmos, porque seria diferente com os outros seres de nossa convivência? Quando vamos deixar de nos ver separados e passar a sermos apenas o que podemos ser? Perguntas a mim mesma.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Espera egocêntrica por um final atarantado

Silêncio me invade
turbulento e tenso
tensão de superfície
silêncio de jardim

Ouço em silêncio
meu mundo gira
o ouvido mira
e esqueço de mim...

Espera cansado
o silêncio cantado
e abraça ligeiro
o rápido fim.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lince

Te vi distante...distante...
um sorriso louco, ao longe - dizendo-me algo que não pude captar
Sorriso largo
me atinge
abrange
E eu já não posso observar.

Te vi instante, antes
e o sorriso era agora farsa bruta em teu olhar
Olho de gato
me lance

Ao tempo que (ainda mal) posso esperar.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Borbulho

Aos abraços que perco por milímetro cúbico de orgulho
Devoto meu sangue e minhas convicções
Mas não meu tempo, seguramente
Pois não lhe daria esse prazer. Jamais!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Minotauro

No laboratório labirinto
Escuto-me e penso se não sou eu mesma a desejar ser outro lugar
Ter outro nome
Outra cor
Outra língua
Outro som
Fugir
Para sempre deste eu-maranhado
De ideias tortas e inconclusas

Faço-me, então, e vivo como quero?
Desfaço de tudo o que não me apraz?
Que tempo é este, em que não somos quando queremos e quem escolhemos?

No fundo, sei das escolhas, entendo as dúvidas, conheço o caminho...e o passo? Quero andar?


quarta-feira, 27 de março de 2013

Exílio

E são teus olhos os cães que enfrento. Alimento.
E é tua boca o deserto tenso. Suspenso.
E é teu corpo o exílio lento. Aumento.
E é tua alma que visito e penso.

Penso.


Café sem entulho

Abre-te aos olhos de um novo amanhecer que desponta
Olha e enfrenta, já é novo-sol ao início de nova vida
E tuas defesas já são ébrias ao sóbrio-novo-mundo
desejado, intenso, infernal...tão real quanto o absurdo

Abre-te os olhos, já és nova-hora, nova-escolha, nova-vez
E tudo o que te rodeia expira deságua e inventa
Tu, como preso ficaste ao que foi e morreu
sopraste o vento e vento ficaste, para sempre, em rumo ateu

Agora, sopra-te de volta
E volta-te à próxima dádiva
com tudo o que tens de antes
com tudo o que tens de meu.




sexta-feira, 22 de março de 2013

Próxima parada

Na Boca Maldita tinha um tubo
tinha um tubo na Boca Maldita
tinha um tubo
na Boca Maldita tinha um tubo

Nunca me esquecerei do meu pensamento
ao ver o tubo no meio da calçada
Nunca me esquecerei que na Boca Maldita
tinha um tubo
tinha um tubo na Boca Maldita
no meio da Boca Maldita tinha um tubo.

Ao presente

Você, que criou meu passado, conceda-me a permissão de esquecer. Você, que desejou meu futuro, permita-me a condição de ser. E apresento-me: como sou, é o que estou.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ruído

Assim, todo dia, eles se olhavam. Em parte porque se gostavam. Em parte porque estavam fatalmente atraídos um para o outro. Ímãs - não mais humanos.

Assim, todo dia ele lhe afagava a nuca e ela sussurrava em seu ouvido que nunca vira tão lindos olhos. E seus olhos lhe diziam coisas...ah! Como diziam! Via toda sua história ali girando, perdida. Ouviam-se, mas não diziam-se pois sabiam-se plenos no silêncio fatal. O silêncio - como um punhal. Arrebata os ouvidos e agride nos momentos mais sutis. O silêncio...precede as catástrofes, as explosões.

Em silêncio, seguiam amados e desdenhosos de si mesmos. Entregues ao abismo. Entregues ao amor.

Em silêncio, o que mais falava era a incredulidade de terem se achado, os dois. Por quê não o mundo inteiro? Assim, haviam achado o universo. Seria verdade? Ou apenas haviam achado uma chance de adivinhar silêncios, arriscando errar e no fim descobrir que achavam que haviam achado o que queriam?

Assim, também, achavam o tempo todo um motivo para não crer, achando que aquilo era real demais.

E achavam aquilo tudo muito estranho.

E o silêncio fugia, como eles, do ruído da vida.




Eis que...cimento!

Esquecer é a palavra
Esquecer a palavra
Esqueci
A palavra
Que ia
Usar.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Álbum

E quem vive de lembranças, esquece de viver.

Quase indolor.

A lembrança no olhar só me faz olhar para dentro e perceber que sou sempre a mesma. A loucura ainda me ronda, como urubus rondando um boi moribundo. No entanto, minha presença agora é muito maior que a loucura: é a própria loucura, estampada em alto-relevo, em auto-sabotagens conscientes, em breves olhares para trás. É rápido, quase indolor.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A saudade do novo de novo do fluxo da dança do coração desafinado entra sai não aceita esquece e sonha boa noite.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Da madrugada

É preciso um novo momento, após este, tão desfeito...esfacelar os argumentos, desinventar procedimentos, desinfetar os sentimentos. É preciso um re-nascimento.

Cruza meu olho com olho triste e esquivo a vista mista de dor e prazer - tão sublime é perder - segue meu olho e some em pista de segredo-esconder.  Otimista, quem sabe sorri para esquecer? Quem sabe sorri por saber...espero sua entrada e nada me vem, só a minha chegada e, mais além, a sã madrugada de riso e desdém. Assim, amanheço-me.

Contando comigo, são duas pessoas que me entendem. Oh, que auto-piedade! Dionísio agora mesmo revirando-se no caixão. Eu matei Dionísio!

Sim, amigos, eu matei Dionísio!

- Certa vez, um desconhecido me olhou nos olhos. Em alguns minutos, esmiuçou tudo o que eu não queria que ninguém soubesse e tudo o que eu tentava esconder de mim mesma, jogando na minha cara tudo o que eu não queria ouvir. Foi tão bom!

E hoje me sinto viva,

Passeio público

Desceu as escadas, abriu a porta, saiu. Depositou as sacolas de lixo na calçada. Andou vinte passos até a próxima esquina e virou à direita. Desceu a Alameda Cabral. As putas não dormem, lembrou. Chegando na praça Osório, viu garotos tomando um fresco banho na fonte. Peruanos tocando. Velhos fofocando. Rapazes engraxando. Seguiu pela rua XV, talvez algo lhe chamasse a atenção, quem sabe? Alcançou a Universidade, talvez uma passeata, um protesto? Não, nada acontecia. Reitoria.

Nada de novo, CEUC, pensões de estudantes, ônibus perfeitamente ecológicos. Decidiu caminhar até o Mercado Municipal: por que será que os pedestres INSISTEM em usar as ciclovias? Comprou um punhado de amendoins. Castanhas, ervas, juá para os dentes. Quem controla os quinze minutos máximos de estadia dos carros na rodoviária? Esperou cinco minutos, tubo vazio, quase um milagre! Centenário-Campo Comprido, do contrário, seria obrigada a descer na praça Rui Barbosa - quem controla o total esvaziamento dos expressos?

Chegou em casa, começou a chover.






Dreamland neurosis

É verdade que somos antigos

É verdade que somos iguais

A única verdade inegável: a vida que se esgota e os sonhos que me acusam.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Queima de arquivo

As palavras pedintes
Imploram, clamam, buscam incansavelmente um espaço à luz
Borbulham como a água que acabei de ferver para fazer o meu chá
Saiam, já.

É noite e, mesmo assim, arrancam pedaços da minha roupa para que possam amanhecer iluminadas e imunes - apoiadas umas às outras (preguiçosas que são) na sacada, amontoadas. Praticamente uma rocha literária. Praticamente um bloco linguístico. Praticamente muitas coisas.

Praticamente fujo escorregando no lodo. Parece que as palavras não são boas estrategistas, nem suspeitam que minha próxima frase será: "Não me alcançarão!"

Pronto, despistei. Agora é só esperar o dia nascer e queimar as palavras não usadas.