quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A saudade do novo de novo do fluxo da dança do coração desafinado entra sai não aceita esquece e sonha boa noite.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Da madrugada

É preciso um novo momento, após este, tão desfeito...esfacelar os argumentos, desinventar procedimentos, desinfetar os sentimentos. É preciso um re-nascimento.

Cruza meu olho com olho triste e esquivo a vista mista de dor e prazer - tão sublime é perder - segue meu olho e some em pista de segredo-esconder.  Otimista, quem sabe sorri para esquecer? Quem sabe sorri por saber...espero sua entrada e nada me vem, só a minha chegada e, mais além, a sã madrugada de riso e desdém. Assim, amanheço-me.

Contando comigo, são duas pessoas que me entendem. Oh, que auto-piedade! Dionísio agora mesmo revirando-se no caixão. Eu matei Dionísio!

Sim, amigos, eu matei Dionísio!

- Certa vez, um desconhecido me olhou nos olhos. Em alguns minutos, esmiuçou tudo o que eu não queria que ninguém soubesse e tudo o que eu tentava esconder de mim mesma, jogando na minha cara tudo o que eu não queria ouvir. Foi tão bom!

E hoje me sinto viva,

Passeio público

Desceu as escadas, abriu a porta, saiu. Depositou as sacolas de lixo na calçada. Andou vinte passos até a próxima esquina e virou à direita. Desceu a Alameda Cabral. As putas não dormem, lembrou. Chegando na praça Osório, viu garotos tomando um fresco banho na fonte. Peruanos tocando. Velhos fofocando. Rapazes engraxando. Seguiu pela rua XV, talvez algo lhe chamasse a atenção, quem sabe? Alcançou a Universidade, talvez uma passeata, um protesto? Não, nada acontecia. Reitoria.

Nada de novo, CEUC, pensões de estudantes, ônibus perfeitamente ecológicos. Decidiu caminhar até o Mercado Municipal: por que será que os pedestres INSISTEM em usar as ciclovias? Comprou um punhado de amendoins. Castanhas, ervas, juá para os dentes. Quem controla os quinze minutos máximos de estadia dos carros na rodoviária? Esperou cinco minutos, tubo vazio, quase um milagre! Centenário-Campo Comprido, do contrário, seria obrigada a descer na praça Rui Barbosa - quem controla o total esvaziamento dos expressos?

Chegou em casa, começou a chover.






Dreamland neurosis

É verdade que somos antigos

É verdade que somos iguais

A única verdade inegável: a vida que se esgota e os sonhos que me acusam.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Queima de arquivo

As palavras pedintes
Imploram, clamam, buscam incansavelmente um espaço à luz
Borbulham como a água que acabei de ferver para fazer o meu chá
Saiam, já.

É noite e, mesmo assim, arrancam pedaços da minha roupa para que possam amanhecer iluminadas e imunes - apoiadas umas às outras (preguiçosas que são) na sacada, amontoadas. Praticamente uma rocha literária. Praticamente um bloco linguístico. Praticamente muitas coisas.

Praticamente fujo escorregando no lodo. Parece que as palavras não são boas estrategistas, nem suspeitam que minha próxima frase será: "Não me alcançarão!"

Pronto, despistei. Agora é só esperar o dia nascer e queimar as palavras não usadas.