domingo, 28 de abril de 2013

Café com bigodes

Reinventar momentos é essencial para o desapego: assim, podemos assumir novas formas de sentimento para um velho acontecimento. É uma opção, e eu escolho sentir bem o que realmente foi bom. Observar, pensar, lembrar, se preciso for, se a memória não falhar...e, acima de tudo, saber que não há regras para sentir e amar - pois, onde não há apego ao amor, há o verdadeiro amor.

sábado, 20 de abril de 2013

O nascimento da tragédia?

A idealização dos relacionamentos é o que nos faz querer sofrer com eles. Bom, não tem que ser assim: o fim de um relacionamento (utilizo esse termo por falta de um outro que evidencie mais claramente que o tal "fim de relacionamento" é, na verdade, uma nova fase do mesmo) pode ser prazeroso, como todo seu percurso e todos os outros aspectos da nossa vida. Escolhemos sofrer porque é assim que nossas mentes apegadas a valores egocêntricos esperam que sejam. A sociedade (também um termo que uso só por falta de conhecer outro melhor, pois remete à impressão de que haveria uma entidade impessoal que nos dita regras de comportamento - ok, vou deixar de purismo técnico) diz que a separação é sofrida mas, e se não for? E, afinal, qual é a separação? Nem quando morremos cortamos o cordão umbilical que nos une a nós mesmos, porque seria diferente com os outros seres de nossa convivência? Quando vamos deixar de nos ver separados e passar a sermos apenas o que podemos ser? Perguntas a mim mesma.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Espera egocêntrica por um final atarantado

Silêncio me invade
turbulento e tenso
tensão de superfície
silêncio de jardim

Ouço em silêncio
meu mundo gira
o ouvido mira
e esqueço de mim...

Espera cansado
o silêncio cantado
e abraça ligeiro
o rápido fim.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lince

Te vi distante...distante...
um sorriso louco, ao longe - dizendo-me algo que não pude captar
Sorriso largo
me atinge
abrange
E eu já não posso observar.

Te vi instante, antes
e o sorriso era agora farsa bruta em teu olhar
Olho de gato
me lance

Ao tempo que (ainda mal) posso esperar.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Borbulho

Aos abraços que perco por milímetro cúbico de orgulho
Devoto meu sangue e minhas convicções
Mas não meu tempo, seguramente
Pois não lhe daria esse prazer. Jamais!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Minotauro

No laboratório labirinto
Escuto-me e penso se não sou eu mesma a desejar ser outro lugar
Ter outro nome
Outra cor
Outra língua
Outro som
Fugir
Para sempre deste eu-maranhado
De ideias tortas e inconclusas

Faço-me, então, e vivo como quero?
Desfaço de tudo o que não me apraz?
Que tempo é este, em que não somos quando queremos e quem escolhemos?

No fundo, sei das escolhas, entendo as dúvidas, conheço o caminho...e o passo? Quero andar?