sábado, 20 de dezembro de 2014

As vozes

Às vezes te pedem pra ser menos antissocial. Às vezes pedem pra você deixar de viver da forma como você gostaria. Às vezes, mas só de vez em quando, te sugerem fingir ser quem você não é. Às vezes riem de você, às vezes te sabotam. Às vezes te condenam por você não estar feliz cem por cento do tempo. Ou por você, de fato, ser feliz. Às vezes aparecem em formatos sutis, como olhares e julgamentos, ou escancarados nas ruas em forma de propagandas. Às vezes são sua família, muitas vezes seus "amigos", outras tantas você mesma. Às vezes te olham, mais por curiosidade que por admiração...talvez por admiração por algo que não conseguem ser...talvez por alguma vontade secreta de serem melhores que você...talvez...mas nunca saberemos. Às vezes querem controlar a sua vida. Às vezes te manipulam. Às vezes te dizem quase sussurrando que você não é ninguém e que não é capaz de tomar decisões. Às vezes gritam. Muitas vezes apelam. Às vezes, mas só de vez em quando, se calam.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

De volta ao centro

Sair do eixo
Desconstruir
Desequilibrar

Reconstruir.

Resignificar a vida a cada minuto é o que faz valer a pena viver. A todo momento, nosso mundo paralelo de imaginação e ideais quer se impor sobre a verdadeira vivência do presente momento, aquela da qual esquecemos por estarmos muito preocupados com o futuro ou muito presos ao passado. Acabamos por despejar nos outros nossas carências, nosso medo da solidão, nossa necessidade de aceitação...mas, por que não aceitamos a nós mesmos e nos relacionamos com outros como uma forma de adicionar mais cor à nossa já completa plenitude? Por que não ter em si mesmo uma verdadeira companhia? Por que não respeitar nosso próprio tempo? Por que esperar dos outros o conforto que, no fim das contas, só fazer as pazes consigo mesmo é capaz de oferecer?

Não estou dizendo, obviamente, que cada pessoa deva fechar-se e desconfiar de relações e trocas. Seríamos um mundo de casulos solitários, cada um no seu, auto-centrados demais para desenvolver e construir uma humanidade plena. Felizmente, ainda há muitas pessoas que se recusam a se fechar em seu próprio casulo e escolhem viver. Conhecer seu próprio casulo, no entanto, não impede de trocar com outros casulos ou até mesmo construir um casulo-humanidade, confortável para todos.

Contraditório? Talvez...ainda não entendo profundamente o que é o equilíbrio, e sei que estou longe de alcançá-lo completamente. Talvez seja um pouco de medo de sair do meu próprio casulo em dias chuvosos. Talvez eu mesma seja muito auto-centrada para admitir que não posso controlar nada. No entanto, também sei que tudo o que acontece na vida é um aprendizado e, mesmo que tenha que repetir a lição, cada vez ficará mais fácil. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

As palavras

As que ficam
  As que escondem
As que encantam
  As que fundem

                       As que fogem
                                          As que escapam

      As que morrem

As que calam.

       São tesouros, tão pequenos
           Me descobrem, se desgarram
       Pesam litros, toneladas
               Não aprendem:
                                                        nada falam.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O que pode ser, não é.