quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Pra onde vão os vazios
Quando nos enchemos deles?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Durar

É que me dá saudade do meu
Daquele todo que é minha saudade, só minha
Por mais insistir eu desisto
E existo em nosso grito: sutil.

Agora sou o que era
E não mais me encontro onde fui

Por ruas
Alamedas
Vielas

Voltar a perder meu passado
Lembrar e esquecer onde dói
Morrer e enterrar
Ceder, durar
Partir.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Mais uma

Acabei de receber mais uma carta, não é que escreve bem? Parece que conta uma história. Parece que esconde mil outras mensagens ocultas. Parece uma carta...bem, pelo menos eu acho. Não, eu tenho certeza, só pode ser pra mim.

domingo, 10 de abril de 2016

Chá com Haendel

Buscando a inspiração, parei pra me assustar com minhas pausas decididas.

Parei um pouco, enganchando os fios da pouca-memória seletiva, arruinando sedas e linhos com palavras mudas - trágicas se não fossem cômodas - ao contrário do que sempre me acostumo a me convencer: sou um enigma pra mim mesma.

Devora-me ou te decifro, os algarismos que voam sobre a mesa, os gemidos resignados em semênticas ilusões. Respingos. Fúrias. Falsas injúrias.

Faço um chá ao som do vento, e o sopro vapor me amolece o crânio com beleza institucional: já não sou eu quem faz as perguntas, apenas respondo ao meu surdo interesse.


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Delírios

Me deleito
No leito da sorte
Ao sabor da vida
Perseguindo a morte.

sábado, 26 de março de 2016

Opressão

Tentar explicar tudo o que parece:
a minha mente engana
me trai

E salivo conforme a canção, porque ela me levita.

O sal da boca me enerva
Já não sou mais aquilo
Aquela coisa toda tão estranha e especial
Aquilos todos
Os tudos do mundo perverso e eu
ali
sempre pronta
pra te ver
e oprimir.


sexta-feira, 25 de março de 2016

O novelo

Me descubro violenta
Me descubro odiosa
Ferir
Flechar
Furar

Tenho tudo em mim
Tenho o nada
Para nada ter e ser
Quando menos

O menor dos pormenores
Explodir:
Estilhaços
Pedaços
Parede
Destroços

Tudo vejo, que eu seja a culpa
Das mais sérias saciedades
Dos novelhos novos medos
Dos amados velhos olhos

Ferir
Sangrar
Furar

Ao final, tudo é verdade
Sou a culpa, sou o medo
O menos do fim, o meio

O novelo:
Ao tirar de mim, me sobra
Ou me falta o fio, o dedo.






Ao adentrar no fluxo...é como se uma espiral sugasse a vida e transmutasse tudo aquilo em que acredito. No fim das contas, o que não é, pode ser, e o que é, não é que é mesmo?

terça-feira, 8 de março de 2016

Café com apego

Desapego-me agora mesmo do que fui
Do que seria
Do que sou

Doa a quem me doer...

Despego o apego que pega, ou, em português, que gruda como massa amarga que não me permite ver com clareza.
Des-apego com frieza, a todo momento, de todos os momentos, para me libertar e não me deixar controlar cada passo de minha existência

Entrego minha existência ao que ela deve ser.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Haverá um dia em que tudo será revelado. Nesse dia, poderemos compreender o que até então ficou obscuro, o que imaginamos ter sob controle e o que nem sonhávamos que pudesse fazer sentido.
Aí veremos, então, que o esnobe era humilde, o mentiroso era sincero e o rebelde, obediente. A soberba do homem-de-bem cairá por terra, e ele se verá em meio a milhões de almas perdidas como ele, clamando por vingança e justiça por todas as vidas desperdiçadas na tentativa de ser o rei do mundo, vagando pela eternidade carregando consigo o peso insuperável de todas as mágoas, todos os apegos, todas vaidades e orgulhos vãos.

Mas, por quê teria o pobre homem-de-bem que pagar por todas as faltas da humanidade? Coitado. Mal sabe ele o que o espera depois do fim do túnel. Mal sabe que tudo o que realizou mesquinhamente foi besta e que sua insistência em negar a vida com seus altos e baixos lhe custou uma morte em paz.